Eclesiastes, 9

Postado por Fifa Carmona | Marcadores: | Posted On terça-feira, 27 de julho de 2010 at 22:35



Em tudo isso refleti, no meu coração, e procurando entendi que os justos e os sábios, com suas obras, estão nas mãos de Deus. Se é amor ou ódio, o ser humano não sabe: à sua frente estão todas as coisas.
Assim, todos têm um só destino: tanto o justo como o ímpio, o bom como o mau, o puro como o impuro, o que oferece sacrifícios como o que não os oferece. Assim, o bom é como o pecador, e como quem jura, aquele que evita jurar.
Este é o pior mal que existe entre todas as coisas que acontecem debaixo do sol: que o mesmo destino toca a todos. Por isso, o coração dos filhos de Adão está cheio de maldade e de insensatez enquanto vivem; depois, seu fim é junto aos mortos.
Aquele, pois, que está no meio de todos os que vivem, tem confiança: um cão vivo vale mais do que um leão morto.
Os vivos, ao menos, sabem que irão morrer; os mortos, porém, não sabem mais nada, nem terão mais recompensa, porque a sua memória caiu no esquecimento.
Seu amor, ódio e inveja terminaram, e eles não mais participam deste mundo nem da obra que se faz debaixo do sol.
Vai, pois, come teu pão com alegria e bebe gostosamente o teu vinho, porque já agradaram a Deus, há muito, as tuas obras
Que tuas roupas sejam sempre bem cuidadas e nunca falte óleo perfumado sobre a tua cabeça.
Goza da vida em companhia da esposa, a quem amas, em todos os dias da tua vida passageira, que te foram dados debaixo do sol, em todo o tempo da tua precária existência: esta é a tua porção na vida e no trabalho que suportas debaixo do sol.
Tudo que tua mão puder fazer, faze-o com empenho. Pois no mundo dos mortos, para onde vais, não existe trabalho, nem reflexão, nem sabedoria e nem conhecimento.
Voltei-me para outra direção e vi, debaixo do sol, que a corrida não é dos velozes, nem, dos fortes, a guerra; nem, dos sábios, o pão, nem, dos instruídos, a riqueza, nem, dos prudentes, a graça, pois todos dependem do tempo e do acaso.
Além disso, o ser humano desconhece o seu fim: como os peixes são pescados numa rede funesta e como os pássaros são presos na armadilha, assim as pessoas são surpreendidas pela desgraça quando esta lhes cai por cima de repente.
Mas vi também, debaixo do sol, este exemplo de sabedoria, que considerei notável:
Havia uma pequena cidade, com poucos habitantes. Veio contra ela um rei poderoso e cavou trincheiras, e levantou grandes fortificações ao seu redor.
Encontrava-se aí, porém, um homem pobre, mas sábio, que libertou a cidade com a sua sabedoria. No entanto, ninguém depois se recordou daquele pobre.
Por isso eu dizia que é melhor a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre seja desprezada e suas palavras não sejam ouvidas.
As palavras dos sábios, proferidas com brandura, são escutadas melhor do que os gritos do príncipe entre os insensatos.
É melhor a sabedoria do que as armas de guerra. Um só, que tiver falhado, põe a perder muitos bens.

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